Congresso de Viena

O Congresso de Viena (1 outubro de 1814 - 9 de junho de 1815) foi uma conferência entre embaixadores das maiores potências Européias, que ocorreu em Viena, Áustria.Seu propósito era redesenhar o mapa político do continente após a derrota da França napoleonica. Devemos notar que nunca ouve um Congresso de Viena de fato, já que as potências nunca se encontraram em uma sessão plenária. A maioria das discussões ocorreram em sessões informais.

Terça-feira, Junho 21, 2005

PARTICIPAÇÃO DO TIO SAM NA CONFERÊNCIA DE BERLIM

Terminou hoje a Conferência de Berlim iniciada ano passado e contando com a presença de 14 países, dentre eles os Estados Unidos da América. Por trás de discursos envernizados com a linguagem erudita de expansão da civilização e do livre comércio, foi definida a divisão da África.

Dentre as diversas questões abordadas, é memorável a atuação enérgica da Rainha Vitória defendendo a resolução diplomática dos conflitos e a postura rígida de Bismarck ao evocar inicialmente o Princípio da Ocupação Efetiva na tentativa de deslegitimar a ocupação belga do Congo. Também foi interessante a participação de Portugal, referindo-se ao conceito de direitos humanos e da Sociedade Civil questionando se esses de fato existiriam no Congo. Apesar da acalentada discussão, a Bélgica não pode afirmar nada sobre isso.

Mas nada superou a atuação da potência em ascensão, os Estados Unidos da América. Os EUA defenderam a importância do livre comércio, sendo esta a porta para o desenvolvimento da África, e ratificaram seu apoio a missão humanitária de Leopoldo II. Algumas delegações se confundiram ao associar a Doutrina Monroe com um projeto de imperialismo na América, mas logo o impasse foi definido quando se explanou que essa medida é puramente defensiva. Dessa forma, os EUA tiveram uma atuação fundamental ao assumir sua obrigação moral para com o Congo, entendendo que tal missão civilizatória é de extrema necessidade para o desenvolvimento do país.

Quinta-feira, Junho 16, 2005

Mais outra Revolução

Nos dois textos(introdução do livro A Força da Tradição, Arno J. Mayer e capítulo IV do livro Introdução a História Contemporânea de G. Barraclough)a ênfase dada é na segunda revolução industrial, ocorrida na segunda metade do século XIX, todavia, os enfoques são diferentes, o que torna a comparação baseada en aspectos mais sutís. No texto de Barraclough, a ótica de relações internacionais impera, demonstrando as potências imperialistas e suas disputas pelo domínio, principalmente asiático. Se estabelece nesse texto que é nessa época que tem início um crescimento de potências extra-européias (como o próprio autor as denomina) que seriam os Estados Unidos da América e a Rússia. É estabelecido inclusive as disputas desse período como sendo as causas primeiras da bi-polarização que viria a ocorrer apenas na segunda metade do século XX entre esses mesmos dois países.Cabe ainda nesse parágrafo estabelecer o que seriam Estados imperialistas. Esses Estados seriam aqueles que com o desenvolvimento da segunda-revolução industrial necessitaram um aumento de fornecimento de matérias-primas, mercado consunmidor e ainda, para alguns autores, escoamento de capitais para investimento uma vez que a Europa estava saturada e não fornecia mais a mesma margem de lucro.

No texto de Mayer, o enfoque é mais social. Ele desenvolve a questão da classe dominante manter ainda uma visão de que a base da riqueza é ter posse de terras. Percebe-se claramente nesse autor uma visão marxista que vê a manutenção do "ancien régime" até 1914. Para esse autor, a manutenção da aristocracia no poder político não impediu o desenvolvimento burguês, mas provavelmente o atrazou, uma vez que ele estabelece que paralelamente à visão aristocrática de domínio territorial, a manufatura de bens de consumo continuou a superar a produção de bens de capital na "participação na riqueza, produção e emprego nacionais" dos Estados europeus. Há ainda um aspecto que caracteriza a visão marxista do autor, a partir do momento em que para ele os "magnatas fundiários" se fortaleceram quando souberam se adaptar à conjuntura da época e mantiveram uma consciência de classe e agiam segundo ela. Os burgueses por sua vez não desenvolveram uma consciência como essa e tentavam se aristocratizar. Nessa tentativa fortaleciam cada vez mais a ótica aristocrática e mesmo sendo uma tentativa de alcançar o poder político, não obteriam êxito, uma vez que ao chegarem ao seu objetivo a sua cultura já seria aristocrática e não mais burguesa, perpetuando o sistema ao invés de o modificar.

Aqui entra a comparação entre os dois textos. Barraclough estabelece uma "vitória" para os EUA, Japão e Rússia na corrida imperialista na Ásia. Ao se observar o texto de Mayer, percebe-se que há um continuismo na política européia, enquanto que os EUA e o Japão têm como classes políticas dominantes os burgueses, e fazem seus Estados agirem respeitando a sua ótica para que seus interesses sejam preservados. Claro que essa percepção prejudica o entendimento de como a Rússia obteve sucesso uma vez que era um estado absolutista e ao máximo conservador e mesmo o Japão, que após a Revolução Meiji transformara-se construindo uma visão burguesa mas que mantivera um estado absolutista. Todavia, nesses casos havia a questão da proximidade física que facilita a influência e não os torna tão estranhos quanto era um britânico ou um holandês, porque como está no texto de Barraclough, "a costa pacífica é tão Rússia quanto Moscou". Outro fator que favoreceu o Japão e o EUA, mas que acabou sendo uma questão teria atrazado a Rússia era a sua atuação em apenas uma esfera de influência. Para Barraclough, ter de dividir as forças entre a atuação na europa e na Ásia enfraquecia os Estados europeus, e o russo que estavam intimamente relacionados nos assuntos do "velho continente", porque haviam interesses diversos, e algumas vezes conflitantes, que tinham de ser atendidos ao mesmo tempo.

O paralelismo entre os dois textos pode ser fortalecido ainda quando se destaca as visões imperialistas européia e estadunidense, nas quais fica claro os aspectos burguês e aristocráticos, o primeiro descartando aspectos que o último ainda valorizava como equilíbrio de poder. A visão européia se divide em dois momentos; um de pessimismo e um de otimismo. O momento pessimista teria durado até 1870, onde o sentimento de decadência européia era grande e que já se vislumbrava o crescimento das duas principais potências extra-européias. O momento otimista foi baseado em uma nova percepção da Europa. A Alemanha restaurada estaria reestabelecendo o equilíbrio do sistema e cria-se que o continente obteria vantagens na Revolução Industrial, que estava em andamento, com o desenvolvimento de tecnologias. Já a visão estadunidense estabelecia-se primeiro na consolidação territorial e só após esse aspecto sendo completo foi iniciado a expansão verdadeiramente dita,para além do continente e através do Pacífico. É fácil de se deduzir que nesse oceano era mais fácil para um "principiante" imperialista, uma vez que a atuação britânica era menos efetiva do que no Atlântico. Mais uma vez, o elo que unificaria os dois textos seria a visão burguesa uma vez que essa justificaria a rápida conquista territorial estadunidense e sua pronta expansão através do Pacífico e poyuco depois desse processo iniciado o comodoro Mathew Perry ameaçava os japoneses com a possibilidader de bombardeamento da sua costa. Já a visão dos europeus, não era muito diferente, mas a sua atuação era mais lenta.

Quarta-feira, Junho 15, 2005

Respostas às perguntas

1) O Texto de Barraclough (Do equilíbrio de poder à era da política mundial) abrange todo o período de expansão imperialista do final do século XIX à Primeira Guerra Mundial. A 2ª Revolução Industrial teve impacto importante nessa época. Ao contrário da 1ª Revolução, ocorrida basicamente na Inglaterra pouco antes do alvorecer do século XIX, a segunda teve uma amplitude mundial. Durante a primeira metade do século XIX as potências européias buscaram desenvolver um parque industrial que pudesse competir com o inglês, a mais famosa destas tentativas foi o Bloqueio Continental, exercido pela França buonapartista. Com o advento da 2ª Revolução Industrial, outros países passaram a exercer importante papel no sistema internacional. Dentre estes não havia apenas Estados europeus, os EUA e o Japão também se lançaram no mundo industrializado e começaram a participar da corrida imperialista. O primeiro com possessões na América (Cuba) e na Ásia (Filipinas) e o segundo com territórios na China. Em suma, o principal fator de diferenciação entre as duas revoluções, foi o caráter abrangente, mundial da segunda, o que levou à criação de novos impérios e à maior participação das periferias (detentoras de matéria-prima) no contexto internacional.

2) A Época Vitoriana viveu um momento denominado expansão imperialista. Esta fora o movimento das potências em busca de novos locais de investimento (já que a Europa estava saturada). Hobsbawn, em a Era dos Impérios, propõe uma nova visão sobre o momento, uma nova razão para a criação de novos impérios. Segundo ele, a explicação não seria meramente econômica, o fator político seria tão importante quanto este. A economia sufocada da Europa de 1880teria gerado um acirramento da concorrência no continente, o que levaria ao “Novo Imperialismo”. Porém, há o fato do “status”, uma potência, como diria Guilherme II e sua Weltpolitik, não queria apenas ser potência, queria ser reconhecida como tal. Essa questão seria tão importante que levaria Estados economicamente sanados, como os EUA e a própria Alemanha, a buscar colônias; nas Américas (caso dos EUA) na África (caso da Alemanha) e na Ásia (nos dois casos). Lênin contraria Hobsbawn nesse ponto, para o escritor russo, o Imperialismo seria uma forma de conter problemas sociais internos, agravados após a 2ª Revolução Industrial. A organização dos operários europeus começou a forçar a burguesia à expandir a economia com o intuito de evitar “ maiores problemas”. Essa organização do operariado, para Lênin, se daria pelo sufocamento do capitalismo na Europa, tendo que, portanto, buscar novos horizontes. O Imperialismo seria, de acordo com o célebre termo, “a etapa avançada do capitalismo”.

A 2ª Revolução Industrial e o Imperialismo estão intimamente ligados. As novas tecnologias e meios de produção levaram à criação de periferias no sistema internacional. Essas “novas” regiões levaram a uma nova política dos países largamente industrializados. Um grande marco dessa época foi à criação de uma grande malha ferroviária ligando centros urbanos e encurtando distancias. São desse momento a Trans-siberiana, a linha ligando o Atlântico ao Pacífico dentro dos EUA. Foi criada uma nova ordem mundial e a vida social das grandes metrópoles mudou radicalmente. Com a 2ª Revolução Industrial o mundo cresceu e se tornou mais dinâmico. Houve uma mudança de foco, ao invés do eurocentrismo, o mundo presenciou o lançamento à política imperialista do Japão e dos EUA. A Inglaterra, antes hegemônica nos mares, teve que “aceitar” uma nova potência no ramo naval, o Império Alemão. A multipolaridade teve que ser internalizada às potências européias. São desse período a moderada Realpolitik e a agressiva Weltpolitik da Alemanha.

Sábado, Junho 11, 2005

2a. Revolução Industrial

Responda as questões abaixo e responda até QUARTA-FEIRA 15/06.

1. Diferencie a 1a. da 2a. Revolução industrial enfatizando o impacto de ambas na configuração do Sistema Internacional (G. Barraclough).

2. Defina Imperialismo, e discuta as definiçÕes de Lênin e Hobsbawn.

LIMITE: 1 paragrafo cada questão e mais um parágrafo de conclusão relacionando ambas as questões. Máximo de 15 linhas cada parágrafo.

Quinta-feira, Junho 09, 2005

Deustchland Uber Alles

“Alemanha acima de Tudo”. O momento mais feliz para nosso bravo e heróico povo germânico que aguardávamos com tanta ansiedade finalmente chegou. Ontem, com a noticia da rendição francesa, os últimos territórios prontos para compor o Segundo Reich agora já pertencem ao povo alemão. A Alsácia e Lorena. A alegria é geral, estamos vivendo para ver o nascimento de uma Alemanha unificada.

É difícil imaginar um povo que tenha lutado tanto por sua unidade como o alemão. Nosso chanceler Otto von Bismarck foi de grande importância para que esse sonho virasse realidade. Há bem pouco tempo atrás, nossa pátria era dividida em mais de trinta micro-nações e vivíamos sob a tutela austríaca que exercia seu poder através da Confederação Germânica. Precisávamos de um primeiro passo rumo à liberdade e união. Foi então que a Prússia liderada por Bismarck, começou a disputar o domínio econômico unindo-se aos outros estados, fortalecendo ainda mais sua burguesia já em ascensão. Forma-se o Zollverein, ou União Aduaneira que é composta pela maioria dos estados germânicos, com exceção da Áustria. Com a economia praticamente unificada restava unir nossos territórios. Iniciam-se então as Guerras de Bismarck pela unidade territorial. A primeira das Guerras é contra a Dinamarca em 1864. Em uma união estratégica com a Áustria, a Prússia venceu a guerra e conseguiu obter um território de maioria germânica no Reino da Dinamarca. Outro foi deixado a cargo dos austríacos. Porém, devido à má administração que Bismarck acusou a Áustria de fazer desse território, uma nova guerra foi travada. A guerra das seis semanas, na qual nosso glorioso exército sob o comando do general Moltke humilhou a Áustria. Esse foi o passo decisivo rumo a unificação. Todos os territórios do norte se uniram à Prússia. Restavam apenas três micro-estados no sul para que a unificação estivesse completa.

No entanto, a França entrou em cena com toda a sua arrogância, e sob a liderança do ex-imperador Napoleão III ousou ir de encontro à candidatura do nosso príncipe Leopoldo de Hohenzollern ao trono de Espanha. Outra guerra então foi travada. Para proteger a integridade do povo germânico do sul que podia ser atacado pelos franceses, Bismarck propôs a união e a proteção a esses estados que prontamente aceitaram. A guerra Franco-Prussiana terminou como as demais, vitória da Prússia, vitória da Wermacht. Com a adesão dos últimos estados mais a incorporação da Alsacia e a Lorena finalmente o povo alemão está junto em uma só pátria, que nós protegeremos e faremos crescer. A Alemanha que agora nasceu como diz nosso hino é e esta acima de tudo e de todos.

Terça-feira, Junho 07, 2005

AS PARTES E O TODO

A Guerra da Criméia deixou explícito o fim do Sistema de Metternich, indicando a iminência de uma nova balança de poder na Europa. Neste contexto confuso, a atual Alemanha estava descentralizada em pequenos Estados autônomos, o que dificultava e atrasava seu desenvolvimento econômico. O sonho da integração alemã existia, mas estava abandonado desde o fracasso da Revolução dos poetas na Assembléia Nacional de Frankfurt. Isso até o aparecimento de uma figura extremamente conservadora e aristocrática
que foi o grande realizador da unificação alemã: Otto Von Bismarck.

A unificação alemã teve sua fase econômica com a criação da Zollverein. Essa união aduaneira que excluía a Áustria, unificou o mercado consumidor e garantiu a circulação de apenas uma moeda. Isso propiciou um rápido crescimento germânico baseado na produção de carvão mineral e ferro bruto. Já a fase política surgiu com as guerras travadas por Bismarck, o ‘chanceler de ferro’, na Guerra dos Ducados (1864), Guerra das Seis Semanas (1866) e Guerra Franco-Prussiana (1870-1871).

A Europa era o centro financeiro e político do mundo, e a Alemanha estava numa transição política-econômica-cultural extraordinária, tornando-se uma grande potência industrial e militar. Bismarck recorreu a pratica do Peitsche und Zuckenbrot, a política que alternava o chicote e o pão doce, baseando suas estratégias nas guerras e negociações diplomáticas. Mas para realizar a unificação alemã houve ênfase no uso da força. A troca da Raison d'État francesa pela Realpolitik alemã também aconteceu, mesmo que na prática a mudança não fosse consideravel. Para que o estado nacional único deixasse de ser um ideal abstrato e se consolidasse, os recursos do liberalismo político foram desprezados e imperou uma política de força – dita ‘de sangue e ferro’- capaz de moldar o novo estado alemão moldada pelo antigo sistema autoritário prussiano.

Dessa forma a política de Bismarck baseou-se no nacionalismo e militarismo, sendo esses dois capazes de unir os alemães em torno de um governo autoritário, inclusive fazendo-os abdicar de suas aspirações democráticas em troca da união política e infiltração da disciplina militarista em todas as esferas de suas vidas. Dentre outras conseqüências da unificação alemã é importante citar o surgimento do revanchismo francês, o fim do equilíbrio de Metternich, a kulturkampf – guerra pela cultura – e a criação da Via Prussiana – compondo assim a revolução burguesa pelo alto, reforma educacional e universitária,... -. Também é pioneiro o próprio conceito de unificação, a idéia de juntar as partes visando obter um todo homogêneo, sendo capaz de agir de maneira mais efetiva interna e externamente.

Quinta-feira, Junho 02, 2005

Manifesto ao Mundo

Para Marx, a questão da evolução de uma estrutura social para a outra ocorre através da ruptura. Essa visão se embasa na questão de que a única coisa que evolui de maneira linear são as forças produtivas que, à sua maneira, vão reestruturar a economia. O anacronismo gerado entre uma economia nova, com novas perspectivas e uma sociedade organizada em uma base que ainda é projetada sobre a organização econômica precedente gera o conflito que desencadeará o surgimento de uma nova sociedade, com uma nova classe dominante. Esse processo de transformação todavia tem um limite, que é a transformação do capitalismo em comunismo. O capitalismo é o último, e o mais curto, estágio da "dominação do homem pelo homem" uma vez que após ele virá o comunismo com uma igualdade entre todods. Quanto a ser mais rápido que os outros estágios é porque o sistema econômico incorporará à sua ideologia o constante desenvolvimento das forças produtivas, o que encaminhará o sistema ao colapso, pois mais rápido ocorrerá o desenvolvimento da chamada infra-estrutura em uma nova realidade. Cabe ainda ressaltar que o capitalismo é o responsável pela simplificação do conflito de classes, uma vez que apenas duas classes existirão, a dos proletários (explorados) e burgueses (donos dos meios de produção e por conseqüência exploradores), essa exploração pode ocorrer inclusive através da ideologia, como a ideologia nacionalista que possibilita a contenção das massas populares sem a utilização de força bruta.

Depois dessa breve (e por conseguinte lacunosa) explicação sobre a teoria de marx, vou começar a focar-me um pouco mais no texto de Luis Fernandes " O Manifesto Comunista e o 'Elo Perdido' do Sistema Internacional". O texto começa explicando uma certa difernça entre as ideologias de Relações Internacionais, que seria uma junção de "territórios separados e especializados de saber nas universidades do mundo anglo-saxãodo século XX" com o pensamento marxista que é herdeiro da filosofia alemã que prefere uma concepção de que as realidades sociais são "totalidades historicamente constituidas". Os pensadores de Relações Internacionais veem em Marx um defensor de uma sociedade mundial, pois há no texto do "Manifesto comunista", uma convocação para que os proletários do mundo todo se unam uma vez que os burgueses do mundo todo já estão unidos.

O autor então começa a analisar a criação e desenvolvimento capitalistas através da mesma ótica materialista do autor no qual se baseia o texto trabalhado. A centralização política se dá através da insatisfação dos burgueses com o controle político da aristocracia que não detinha mais a dominação econômica. Esse processo segundo o autor ocorre por causa do processo geral de centralização (de riquezas, população nos núcleos urbanos e terras, com uma perspectiva diferente da visão medieval da sua utilização). A formação desses governos fortes possibilitou ainda a criação de impérios coloniais, o Estado, sendo utilizado como instrumento dos burgueses e para facilitar a expansão do capital por todo o mundo, uma vez que é assim o seu caráter, insassiável , visando o lucro potencial de cada investimento. O desenvolvimento dos impérios coloniais não era a expansão do contato entre os povos, era uma forma de se sobrepor uma identidade nacional à outra, sendo assim mais um artifício dos burgueses de forma a manter o domínio sobre outros povos e sobre o proletariado, uma vez que a questão do nacionalismo é uma ideologia burguesa que visa conter as massas a fim de impedir a Revolução, incorporando toddos no ideário predominante,da classe que detem o poder político.

O autor critica a visão de Marx de que o capitalismo é fulminante, uma vez que existem espaços no Globo que ficaram alheios à sua expansão e que após a qual, ao serem inseridos nessa realidade não podem obter o mesmo nível de desenvolvimento adiquirido pelos países origem dessa organização econômica. É à essa forma desigual de inserção no Mercado Internacional que haverá disparidades entre os poderes político, militar e diplomático, uma vez que para a visão marxista todos os fatores advém da questão econômica, uma vez que é uma interpretação materialista do mundo. A analise que Engels e Marx fazem do surgimento do Estado Soberano europeu, é através da questão comercial, uma vez que o crescimento do comércio que possibilitou incrementos nas formas de produção. Segundo o autor, "(...) o manifesto permite entender a separação-chave crucial para o entendimento do Sistema Internacional Moderno", isso porque o eke vê que a independência das esferas política e econômica viabiliza uma maior interação econômica entre as partes envolvidas no comércio. Contudo, não é só na formação do Estado que Marx pode ser interpretado, como o próprio autor diz: "(...) A contribuição fundamental do texto (do Manifesto) para a teoria internacional reside na sua compreensão da articulação contraditória de processos transnacionais e internacionais na constituição capitalista do mundo moderno.".