Nos dois textos(introdução do livro A Força da Tradição, Arno J. Mayer e capítulo IV do livro Introdução a História Contemporânea de G. Barraclough)a ênfase dada é na segunda revolução industrial, ocorrida na segunda metade do século XIX, todavia, os enfoques são diferentes, o que torna a comparação baseada en aspectos mais sutís. No texto de Barraclough, a ótica de relações internacionais impera, demonstrando as potências imperialistas e suas disputas pelo domínio, principalmente asiático. Se estabelece nesse texto que é nessa época que tem início um crescimento de potências extra-européias (como o próprio autor as denomina) que seriam os Estados Unidos da América e a Rússia. É estabelecido inclusive as disputas desse período como sendo as causas primeiras da bi-polarização que viria a ocorrer apenas na segunda metade do século XX entre esses mesmos dois países.Cabe ainda nesse parágrafo estabelecer o que seriam Estados imperialistas. Esses Estados seriam aqueles que com o desenvolvimento da segunda-revolução industrial necessitaram um aumento de fornecimento de matérias-primas, mercado consunmidor e ainda, para alguns autores, escoamento de capitais para investimento uma vez que a Europa estava saturada e não fornecia mais a mesma margem de lucro.
No texto de Mayer, o enfoque é mais social. Ele desenvolve a questão da classe dominante manter ainda uma visão de que a base da riqueza é ter posse de terras. Percebe-se claramente nesse autor uma visão marxista que vê a manutenção do "ancien régime" até 1914. Para esse autor, a manutenção da aristocracia no poder político não impediu o desenvolvimento burguês, mas provavelmente o atrazou, uma vez que ele estabelece que paralelamente à visão aristocrática de domínio territorial, a manufatura de bens de consumo continuou a superar a produção de bens de capital na "participação na riqueza, produção e emprego nacionais" dos Estados europeus. Há ainda um aspecto que caracteriza a visão marxista do autor, a partir do momento em que para ele os "magnatas fundiários" se fortaleceram quando souberam se adaptar à conjuntura da época e mantiveram uma consciência de classe e agiam segundo ela. Os burgueses por sua vez não desenvolveram uma consciência como essa e tentavam se aristocratizar. Nessa tentativa fortaleciam cada vez mais a ótica aristocrática e mesmo sendo uma tentativa de alcançar o poder político, não obteriam êxito, uma vez que ao chegarem ao seu objetivo a sua cultura já seria aristocrática e não mais burguesa, perpetuando o sistema ao invés de o modificar.
Aqui entra a comparação entre os dois textos. Barraclough estabelece uma "vitória" para os EUA, Japão e Rússia na corrida imperialista na Ásia. Ao se observar o texto de Mayer, percebe-se que há um continuismo na política européia, enquanto que os EUA e o Japão têm como classes políticas dominantes os burgueses, e fazem seus Estados agirem respeitando a sua ótica para que seus interesses sejam preservados. Claro que essa percepção prejudica o entendimento de como a Rússia obteve sucesso uma vez que era um estado absolutista e ao máximo conservador e mesmo o Japão, que após a Revolução Meiji transformara-se construindo uma visão burguesa mas que mantivera um estado absolutista. Todavia, nesses casos havia a questão da proximidade física que facilita a influência e não os torna tão estranhos quanto era um britânico ou um holandês, porque como está no texto de Barraclough, "a costa pacífica é tão Rússia quanto Moscou". Outro fator que favoreceu o Japão e o EUA, mas que acabou sendo uma questão teria atrazado a Rússia era a sua atuação em apenas uma esfera de influência. Para Barraclough, ter de dividir as forças entre a atuação na europa e na Ásia enfraquecia os Estados europeus, e o russo que estavam intimamente relacionados nos assuntos do "velho continente", porque haviam interesses diversos, e algumas vezes conflitantes, que tinham de ser atendidos ao mesmo tempo.
O paralelismo entre os dois textos pode ser fortalecido ainda quando se destaca as visões imperialistas européia e estadunidense, nas quais fica claro os aspectos burguês e aristocráticos, o primeiro descartando aspectos que o último ainda valorizava como equilíbrio de poder. A visão européia se divide em dois momentos; um de pessimismo e um de otimismo. O momento pessimista teria durado até 1870, onde o sentimento de decadência européia era grande e que já se vislumbrava o crescimento das duas principais potências extra-européias. O momento otimista foi baseado em uma nova percepção da Europa. A Alemanha restaurada estaria reestabelecendo o equilíbrio do sistema e cria-se que o continente obteria vantagens na Revolução Industrial, que estava em andamento, com o desenvolvimento de tecnologias. Já a visão estadunidense estabelecia-se primeiro na consolidação territorial e só após esse aspecto sendo completo foi iniciado a expansão verdadeiramente dita,para além do continente e através do Pacífico. É fácil de se deduzir que nesse oceano era mais fácil para um "principiante" imperialista, uma vez que a atuação britânica era menos efetiva do que no Atlântico. Mais uma vez, o elo que unificaria os dois textos seria a visão burguesa uma vez que essa justificaria a rápida conquista territorial estadunidense e sua pronta expansão através do Pacífico e poyuco depois desse processo iniciado o comodoro Mathew Perry ameaçava os japoneses com a possibilidader de bombardeamento da sua costa. Já a visão dos europeus, não era muito diferente, mas a sua atuação era mais lenta.