Congresso de Viena

O Congresso de Viena (1 outubro de 1814 - 9 de junho de 1815) foi uma conferência entre embaixadores das maiores potências Européias, que ocorreu em Viena, Áustria.Seu propósito era redesenhar o mapa político do continente após a derrota da França napoleonica. Devemos notar que nunca ouve um Congresso de Viena de fato, já que as potências nunca se encontraram em uma sessão plenária. A maioria das discussões ocorreram em sessões informais.

Terça-feira, Maio 10, 2005

PROMESSA DE UM FUTURO - RESENHA FILMOGRÁFICA DE "O PATRIOTA"

O filme retrata a independência das treze colônias. Inicialmente são realizadas assembléias – cujo tema de discussão é a entrada dos americanos na guerra contra a Inglaterra -. O personagem principal, interpretado por Mel Gibson, é Benjamin Martin, um indivíduo conhecido pela atuação num anterior combate contra os franceses. Apesar de seu passado obscuro, primeiramente Martin adota uma postura conservadora se opondo ao alistamento de voluntários para combater os colonizadores. A razão era a necessidade de manter a sua unidade familiar, o mesmo motivo que minutos depois o leva a mudar de opinião, quando um de seus filhos é morto na sua frente. Neste novo cenário, Martin resolve pegar em armas e fazer a sua própria revolução. O filme focaliza bastante o sonho de vingança do protagonista, que adere a revolução antes pelo drama familiar vivido do que pelo caráter ideológico desta. Fica explicita a polarização resultante desse impasse. Martin representa o homem justo, que só aderiu a violência como ultimo recurso e após a integridade de sua família ser afetada, enquanto que o subcomandante inglês se caracteriza como o perfeito antagonista, sendo desumano ao extremo,desleal e perverso. A rivalidade ascende qualquer caráter tangível, representando a luta do bem contra o mal.

Afim de exaltar o tema patriótico o filme é composto majoritariamente de vinhetas, dentre as quais algumas são interessantes. Há o projeto de um mundo novo, moldado pela igualdade de todos. Um exemplo é quando o escravo negro, que inicialmente lutava para obter a alforria, adere a causa e luta como um homem livre. A promessa de um futuro melhor confere a guerra um tom nobre, na qual o sentimento de liberdade motiva a todos. A única exceção é Martin, que gasta parte considerável do filme derretendo os soldadinhos de seu filho morto e fazendo balas com o ferro fundido -. Outra cena marcante e de profunda emoção é a da igreja em chamas. Mas também existem momentos de descontração, como por exemplo quando o navio inglês é explodido e uma britânica confunde o ocorrido com fogos de artifício, inclusive elogiando o procedimento. Evidentemente, o objetivo era ridicularizar os ingleses.

De qualquer forma, a disputa se estende durante todo o filme, assim como o apelo constante a um sentimentalismo barato. O publico alvo precisa ter uma mentalidade suficientemente colonizada para aceitar a falta de densidade do roteiro, a apelação hilária para o ufanismo americano, o maniqueísmo na concepção de personagens, inclusive dos animais – fato comprovado, por exemplo, pela brilhante atuação dos cachorros que se sensibilizam com o líder Martin -. Porém, considerar somente os pontos fracos seria admitir uma postura demasiado parcial. Ao contrário do filme, que se empenha em relatar a visão de um dos lados como verdade absoluta- associando a bandeira americana a um símbolo de valentia e liberdade -, é necessário admitir a existência do outro lado. Seria injusto desconsiderar o figurino e fotografia, os quais são realmente bons. Também fica evidente uma interessante crítica a ação contemporânea dos EUA. Internamente há um estimulo a um nacionalismo exarcerbado. Tal comportamento se reflete na cultura americana, e o principal propagador de idéias para a massa são os filmes, como esse aqui discutido – o qual tem uma função muito superior a um simples entretenimento -. Mas o discurso disseminado mundialmente propõe uma abertura de mercados, fim do protecionismo, tendo como principal estimulo a globalização, ao contrário do discurso interno. Esse paradoxo não é explicito, mas existe e se faz presente. Talvez um dia seja alvo de Hollywood.

2 Comments:

At 11:48 AM, Blogger Daniel said...

Julia, quando eu fizer um filme, por favor não faça a crítica. Você é muito má!!!coitado do Mel Gibson!
teve que fazer um filme sobre Jesus pra se redimir!

 
At 6:16 PM, Blogger professor said...

Excelente resenha. Entendeu perfeitamente o espírito do trabalho ao analisar do ponto de vista histórico quais são os 'furos' e objetivos da pbra artística. Parabéns!!!

 

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